segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De electrizante a jogo de loucos


In " Correio do Minho" 21 Nov.

Por Joana Russo


Se há jogos que merecem ficar na memória, este é um deles. Um grande espectáculo, verdadeiro jogo de Taça e um empate que deixa tudo em aberto para a segunda ‘mão’. Ninense de alto nível demostrou forte personalidade.

Um verdadeiro jogo de loucos. Ninense e Ruivanense empataram a três bolas no jogo da primeira ‘mão’ da segunda eliminatória da Taça Associação Futebol de Braga, deixando, assim, tudo em aberto para o segundo duelo, agendado para dia 1 de Dezembro, em Ruivães. À partida, o jogo já era um dos pratos fortes da ronda, mas dentro das quatro linhas a emoção e futebol espectáculo foram de tal ordem que é caso para dizer ter sido um dos melhores jogos da temporada a nível distrital. Dá gosto assistir a espectáculos como este. Os ingredientes faziam prever um grande duelo entre equipas de diferentes escalões [Ninense é líder da I divisão série A e o Ruivanense 12.º classificado da Divisão de Honra] e as expectativas foram mais do que superadas. Sobretudo, na segunda parte onde foram apontados cinco golos em meia-hora e perante um Ninense de alto gabarito, a mostrar, claramente, o porquê de liderar o campeonato ainda sem derrotas. Foi uma demonstração de classe, garra e atitude extrema dos comandados de João Salgueiro: a equipa ficou reduzida a dez unidades aos 39 minutos, por expulsão de David, sofreu um penálti (algo forçado e duvidoso) que mudou o rumo dos acontecimentos, esteve a perder por 3-1, mas deu a volta à desvantagem, conseguiu empatar o marcador e terminou por cima do adversário, falhando por centimetros o golo que poderia ter dado a vitória já em cima dos 90.
Mas começando pelo início. O Ninense entrou mais personalizado no jogo e deu o primeiro sinal dos pés de Zé Luís, após livre de Salgueiro. A pressionar e a dominar o jogo, Mário e Bruno Silva também tentaram a sorte com remates que rasaram os postes, até que ao minuto 38 - totalmente contra a corrente do jogo - uma suposta falta de David sobre Trinca na área deu grande penalidade ao Ruivanense. Muitos protestos e dúvidas para a decisão do auxiliar Jorge Oliveira. E expulsão directa para David, alegadamente por insultos. Chamado a converter o castigo máximo, Vítor Hugo não desperdiçou. Reduzida a dez unidades, a equipa do Ninense fragilizou-se em termos anímicos e João Salgueiro foi obrigado a mexer para a segunda parte, recuando Mário de trinco para central e optando por Pedro a lateral esquerdo no lugar de David. A equipa reagiu da melhor forma e, logo após o reatamento, Zé Luís empatou o marcador, com um grande golo. Mas os festejos duraram pouco. Dois minutos depois - e em apenas quatro minutos - Vítor Hugo aniquilou a defesa ninense. O extremo bisou, após um centro e um ressalto de bola, com a defesa da casa estática. E voltou a festejar logo de seguida um ‘hat-trick’ de cabeça, na sequência de cruzamento milimétrico de Trinca. Dois golos de rajada, que fizeram tremer a equipa da casa. A correr atrás do prejuízo, o Ninense não baixou os braços e desencadeou a reviravolta com a entrada de Bruno Santos. O médio foi o pulmão de ataque e o organizador de jogo, que permitiu dar maior profundidade à equipa. Foi dos pés de Bruno Santos que nasceu a jogada do segundo golo. Cruzamento perfeito de Mário e Bruno Silva a cabecear para o golo. Estava lançado o tónico para minutos verdadeiramente espectaculares. A trocar bem a bola a meio-campo e transições defesa/ataque imperiais, o Ninense revelou ser uma equipa no seu todo. E chegou ao empate, três minutos depois, com um bis de Bruno Silva. Com as emoções à flor da pele, Bogas de livre directo ainda obrigou Dani a voar e Bruno Silva falhou por centímetros o golo da vitória ao cair do pano.

“Quem viu o jogo não notou que estavam em campo uma equipa da I divisão e outra da Divisão de Honra.
Na primeira parte, estivemos mais em cima do jogo até ao lance da grande penalidade controlámos sempre o jogo em todos os níveis, quer posse, como criar situações de golo. Depois ficámos com dez e isso penalizou-nos. Mas a equipa mostrou mais uma vez, que não é por acaso que é lider da I divisão, e mostrou um futebol de grande qualidade e mesmo a perder por 3-1 e com dez tivemos uma reacção muito positiva. Os meus jogadores foram grandes. Fomos uma equipa no seu todo. Está tudo em aberto não damos a eliminatória como perdida, mas o importante é o campeonato”.

João Salgueiro (técnico Ninense)

“Foi um jogo de Taça, o Ninense tem uma equipa muito bem organizada, trabalhámos, conseguimos chegar à vantagem, empatámos novamente, conseguimos uma vantagem folgada, mas jogar contra dez é uma falsa questão. Não conseguimos manter a posse de bola. Pode esperar-se agora mais um bom jogo, vamos tentar errar menos a nível defensivo”.

Tiago Cunha (técnico Ruivanense)

Trio de arbitragem liderado por Flávio Sousa com algumas falhas no jogo. Ficam bastantes dúvidas no lance que deu a grande penalidade ao Ruivanense, aos 38 minutos, por suposta falta de David sobre Trinca prontamente ajuizada pelo auxiliar Jorge Oliveira. Vermelho directo a David foi excessivo.

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